O mercado imobiliário é um dos setores mais relevantes da economia brasileira. Apesar das transformações ocorridas nas últimas décadas, o setor ainda preserva vestígios de uma cultura historicamente masculina que, por muito tempo, limitou o espaço e o reconhecimento das mulheres.

Ao falarmos sobre a atuação da mulher nesse mercado, os desafios se tornam ainda mais evidentes. Colegas, clientes e parceiros, muitas vezes, ainda enxergam as profissionais por meio de uma lente de subestimação, como se a sensibilidade e a delicadeza fossem incompatíveis com a firmeza, a competência técnica e a capacidade estratégica que o setor exige.

Durante muito tempo, as grandes negociações foram associadas à figura masculina. Não porque faltasse capacidade técnica às mulheres, mas porque, quando falamos da mulher que atua nesse ramo, os desafios ultrapassam o conhecimento e a qualificação profissional.

Ainda, é comum que a autoridade feminina seja questionada antes mesmo de ser demonstrada.

Em muitas situações, mulheres são vistas como delicadas demais para conduzir negociações complexas, administrar patrimônios ou participar de decisões estratégicas. No entanto, o que muitos ainda não perceberam é que a delicadeza e a autoridade podem coexistir.

A delicadeza não diminui a capacidade profissional. Pelo contrário, o conhecimento, a estratégia, o preparo e a segurança jurídica sempre estarão acima de qualquer estereótipo.

Cada vez mais nos deparamos com mulheres ocupando espaços que antes pareciam inalcançáveis, liderando empresas, estruturando negócios, negociando patrimônios, tomando decisões relevantes e contribuindo para transformar o mercado imobiliário.

Contudo, isso não significa que o preconceito tenha desaparecido.

Em muitos momentos, ainda precisamos provar nossa competência mais de uma vez. Precisamos demonstrar conhecimento antes mesmo de sermos ouvidas. Precisamos conquistar espaços que, para outros, são naturalmente concedidos.

O preconceito não deve servir como barreira. Deve servir como combustível.

A autoridade não nasce da imposição.

Nasce da preparação.

Nasce do estudo.

Nasce da experiência.

Nasce da segurança de quem sabe exatamente o que faz.

Por Giuliana Labate.